Elementos arbóreos e arbustivos

O conjunto arbóreo do Rossio é maioritariamente constituído por exemplares de espécies exóticas, num total de aproximadamente 12 espécies diferentes, entre árvores e arbustos.

Algumas espécies, per si, pelas suas idades e/ou pela opção estética de implantação adoptada (nomeadamente as que estão presentes em alinhamentos), testemunham modelos de ajardinamento que caracterizam diferentes épocas.

Destacam-se, pelo seu porte, idade e alinhamento, os conjuntos de palmeiras e de plátanos.

O conjunto arbóreo tem significativa valia:

  • como colecção dendrológica, pela diversidade de espécies presentes, pelo porte atingido por alguns exemplares e pela fisionomia conseguida por muitos deles;
  • pelo efeito estético que cria, decorrente da sua composição estrutural e fisionómica;
  • pelo efeito cromático sazonalmente variável criado pela copa do arvoredo, quer pela floração primaveril que algumas espécies exibem, quer pelas suaves cores outonais que outras protagonizam, nomeadamente os plátanos.
  • os 11 exemplares de palmeiras-das-canárias que sobrevivem (à data de setembro de 2019) confere-lhes estatuto de raridade e perpetua a memória de parte destes extraordinários exemplares que deixaram a sua marca em muitos espaços urbanos do país e que, no Rossio de Aveiro, foram imortalizados pelo poeta aveirense Amadeu de Sousa no poema “Palmeiras do Rossio” (ver poema no final da página).

 

 

Elenco de elementos arbóreos

Platanus orientalis (Plátano): Espécie exótica,  utilizada como ornamental.  A grande dimensão que pode atingir e a capacidade para projetar grandes sombras, converteram-no numa das árvores mais utilizadas para ladear arruamentos urbanos – é considerada das melhores árvores para combater a poluição urbana. No Rossio de Aveiro, o conjunto de plátanos surge já em fotos do inicio do século XX (1907). 25 exemplares, dispostos em alinhamento.  

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Plátanos
Platanus orientalis (Plátano)
Fonte: Juntos pelo Rossio
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Platanus orientalis (Plátano)
Platanus orientalis (Plátano)
Fonte: Juntos pelo Rossio

Phoenix canariensis (Palmeira-das-Canárias): Espécie exótica, oriunda da bacia mediterrânica, países subtropicais e Ilhas Canárias. Utilizada como ornamental. É oriunda, como o nome indica, do Arquipélago das Canárias. É muito comum nas artérias urbanas das regiões mediterrânicas, mas também mais a Norte, devido ao facto de suportar temperaturas mais baixas do que as verificadas no seu país de origem. Tem um crescimento lento: com menos de 30 anos não permitem que se aproveite a sua sombra porque tem folhas até muito abaixo. Uma árvore com 10 metros pode ter mais de 1 00 anos. É o caso do conjunto inicial de 29 exemplares centenários do Rossio, de que restam 5 com uma altura superior a 10 metros, e outros 6 relativamente mais jovens. 

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Palmeiras
Phoenix canariensis (Palmeira-das-Canárias)
Fonte: Juntos pelo Rossio
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Phoenix canariensis (Palmeira-das-Canárias)
Phoenix canariensis (Palmeira-das-Canárias)
Fonte: Juntos pelo Rossio

Trachycarpus fortunei (Palmeira-de-Leque):Espécie exótica, oriunda do centro e leste da China e norte da Birmânia. Utilizada como ornamental. 3 exemplares.

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palmeira leque
Trachycarpus fortunei (Palmeira-de-Leque)
Fonte:Juntos pelo Rossio

Ulmus minor (Ulmeiro):  Espécie autóctone. Comum em quase toda a Europa, Norte de África e Ásia ocidental, é uma espécie que gosta de luz. Tolera bem a exposição marítima, é resistente à poluição e atrai numerosos insetos que dele se alimentam. Floresce usualmente entre Fevereiro e Março e os seus frutos amadurecem entre Abril e Maio. “É considerada uma das melhores árvores de sombra, já utilizada para esse efeito pelos romanos (…) já foi das árvores mais representativas de Portugal. Nos últimos tempos, especialmente em Lisboa, um fungo e dois insectos provocaram a morte de muitas destas árvores” (http://www.cienciaviva.pt/img/upload/Guia_arvores_net.pdf). Conjunto de 10 exemplares, vários com deficientes ou inadequadas intervenções de poda, sendo muito procurados pelos visitantes do Rossio, pela sombra proporcionada pelas suas frondosas copas.

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ulmeiro
Ulmus minor (Ulmeiro)
Fonte:Juntos pelo Rossio

Populus nigra (Choupo-negro): Espécie autóctone. Também conhecido por álamo, álamo-negro, álamo-da-terra, álamo-de-Itália, choupo-de-Itália, almo, amieiro-negro, choupo, faia-preta, olmo-negro. Copa estreita e irregular ou em forma de coluna, dependendo da variedade. O tronco é curto e direito, com casca castanho-acinzentada que escurece e ganha sulcos profundos com a idade. Conjunto de 6 exemplares.

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Choupo
Populus nigra (Choupo-negro)
Fonte: Juntos pelo Rossio

Cercis siliquastrum (Olaia): Originária da região mediterrânica. Utilizada como ornamental. Conta a lenda que Judas se enforcou numa olaia, sendo, por essa razão, também conhecida por árvore-de-Judas. Para além disso, por ter folhas em forma de coração, é também conhecida por árvore-do-amor! No Rossio existe apenas 1 exemplar jovem.

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Olaia
Cercis siliquastrum (Olaia)
Fonte: Juntos pelo Rossio

Celtis australis (Lodão-bastardo): Espécie autóctone. Utilizada como ornamental. Árvore muito resistente à poluição. A sua madeira é muito utilizada para a produção de cabos para ferramentas, remos e tonéis. 1 exemplar jovem.

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lodão
Celtis australis (Lodão-bastardo)
Fonte: Juntos pelo Rossio

 

Elenco de elementos arbustivos

Schinus molle (Pimenteira-Bastarda): Espécie exótica. A sua resina usa-se como medicamento e os frutos moídos servem como pimenta. É uma árvore plantada como quebra-vento, para sombra e também como ornamental. 6 exemplares. Algumas destas pimenteiras constituem exemplares notáveis no Rossio.

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Pimenteira
Schinus molle (Pimenteira-Bastarda)
Fonte: Juntos pelo Rossio

Pittosporum toriba (Pitósporo-da-China): Espécie exótica, originária do Sul do Japão, Sul da Coreia, Norte de Taiwan. Arbusto ou pequena árvore sempre-verde, que pode chegar a ter 2 a 6 m de altura, com casca escura, muito ramificado. É um dos arbustos mais cultivados na Península Ibérica. As suas flores exalam um odor a flor-de-laranjeira. O nome do género, Pittosporum, deriva do grego pítta: resina, e de sporá: procriação, em botânica semente ou esporo; alusivo à substância resinosa e viscosa com que geralmente estão impregnadas as sementes (http://serralves.ubiprism.pt/species/show/859). No Rossio existem 6 exemplares de grande beleza. 

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Pittosporum toriba (Pitósporo-da-China)
Pittosporum toriba (Pitósporo-da-China)
Fonte: Juntos pelo Rossio

Nerium oleander (Adelfeira): Espécie espontânea em Portugal continental, nos ambientes mediterrânicos, junto às linhas de água. Também conhecida por loendro, loureiro-rosa, cevadilha, adelfo, alandro, aloendro, eloendro, espirradeira, loendreira, loureiro-rosa. Utilizada como ornamental, é muito vistosa e decorativa. Muito resistente a todas as classes de solos e a condições adversas, como ambientes poluídos. Sendo tóxica, as suas flores são aromáticas, pelo que são utilizadas em perfumaria. 3 exemplares.  Um destes exemplares do Rossio destaca-se pela sua idade, forma e dimensão. 

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Adeifeira
Nerium oleander (Adelfeira)
Fonte: Juntos pelo Rossio

Cotoneaster tomentosus (Cotoneaster): Espécie exótica, originária das regiões temperadas da Ásia, Europa, África do Norte. Utilizada como ornamental, pela sua atraente e abundante floração e frutificação.  Os insetos polinizadores e úteis aos jardins são atraídos por estes arbustos,de folha caduca que podem atingir 2 m de altura (http://serralves.ubiprism.pt/glossary/289). Um único exemplar destaca-se no Rossio, por estar isolado, num plano elevado e relvado.

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Cotoneaster tomentosus (Cotoneaster)
Cotoneaster tomentosus (Cotoneaster)
Fonte: Juntos pelo Rossio
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cotonoaster
Cotoneaster tomentosus (Cotoneaster)
Fonte: Juntos pelo Rossio

Iuka aloifolia (Iuka): Espécie exótica, o género Yucca compreende cerca de 40 espécies nativas desde o norte da América até à Guatemala. Utilizada como ornamental, em parques e jardins. 5 exemplares.

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lucca
Iucca aloifolia (Iuca)
Fonte: Juntos pelo Rossio




PALMEIRAS DO ROSSIO

São 29 palmeiras,
que vivem no meu Rossio.
De belo porte, altaneiras,
como nunca ninguém viu.

Vizinhas e companheiras,
suportam a chuva, o frio,
as 29 palmeiras
que habitam no meu Rossio.

Passam pescadores, peixeiras, 
em constante corrupio,
nas 29 palmeiras
que embelezam o Rossio.

As 29 palmeiras,
em jeito de desafio,
bailam, revoltas, gaiteiras,
se o vento invade o Rossio.

Viram festejos e feiras
em muitos anos a fio,
as 29 palmeiras
presentes no meu Rossio.

Viram jogos, brincadeiras,
nos tempos de rapazio,
as 29 palmeiras
que emolduram o Rossio.

Velas verdes de um navio,
as 29 palmeiras
têm algo de hospedeiras,
a quem visita o Rossio.

As 29 palmeiras,
onde o meu corpo subiu,
são outras bandeiras,
sentinelas do Rossio.

Amadeu de sousa (In “Litoral” – Aveiro, 04.04.86)
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Palmeiras do Rossio
Palmeiras centenárias Cais do Rossio, 1957 / 2016
Câmara Municipal de Aveiro (1985)