História do Jardim do Rossio

O JARDIM DO ROSSIO é um espaço intimamente ligado, há mais de 500 anos, à história da cidade de Aveiro.

O ROSSIO, desde que os homens o integraram no espaço urbano da cidade, passou a marcar e a registar a linha do tempo da história da cidade.

Aqui foi implantado no século XVI, após o Foral Novo outorgado por D. Manuel I, o Pelourinho, primeiro monumento a representar a instituição do município.

Localizado na proximidade das já desaparecidas linhas de muralhas, que protegeram o condensado burgo que dentro delas se acantonava, surgiu como espaço de necessidade para as actividades que garantiam a subsistência das suas gentes e como cais de ligação da cidade ao mundo ultramarino.

Garantiu o desenvolvimento, mas também sempre foi o principal palco da convivência das gentes que aqui residiam e ponto de encontro com outros que de fora vinham para comerciar ou divertir os de cá. Por isso, nele se estabeleceu um velódromo, depois uma praça de touros  e também um cinema ao ar livre.

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Mercadorias
Descarga de mercadorias
Fonte: Juntos pelo Rossio, a partir da Imagoteca Municipal do Museu da Cidade de Aveiro
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Praça Touros
Praça de touros improvisada, 1916, em construção de madeira de 1907
Fonte: Câmara Municipal de Aveiro (1985)
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Canal central com “Rossio-Cine”, à direita, onde se exibiam sessões de cinema ao ar livre, 1929
Canal central com “Rossio-Cine”, à direita, onde se exibiam sessões de cinema ao ar livre, 1929
Fonte: Câmara Municipal de Aveiro (1985)

Aqui, a Feira Franca outorgada por D. Duarte em 1434 montou os seus estendais, a qual, muitas gerações volvidas, foi sucedida pela Feira de Março, uma marca da cidade ainda hoje.

Saber mais no DESTINOAVEIRO.

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Feira de Março no Rossio, com envolvente de plátanos e palmeiras
Feira de Março no Rossio, com envolvente de plátanos e palmeiras
Fonte: Câmara Municipal de Aveiro (1985)

Aqui, muito se comerciou à porta do matadouro ou no mercado do peixe e, a partir de 1817, uma feira mensal assentou os seus arraiais.

Aqui muito mais se feirou com a Feira das Cebolas e, mais recentemente, com as Feira do Livro e Feira de Artesanato.

Aqui, em 1809, durante as Guerras Peninsulares, se fez local de acantonamento de tropas inglesas integradas no exército anglo-luso que, em 1811, haveriam de expulsar e vencer os exércitos napoleónicos.

Aqui esteve implantada a forca, em localização bem visível do burgo, para que todos vissem como a Justiça castigava quem não cumpria a Lei.

Aqui, em 1922, os adeptos do Sport Clube Beira-Mar viram pela primeira vez os seus jogadores dar toques na bola, nos seus primeiros jogos.

Aqui se comemoraram, em 1959, os 200 anos da elevação de Aveiro a cidade e os 1000 anos  sobre a sua primeira referência documental  conhecida  (relativa à doação de terras e salinas pela Condessa Mumadona Dias, em 959), momentos que trouxeram ao espaço o então Presidente da República, o Almirante Américo Tomás. "

Aqui decidiu Aveiro render homenagem a um aveirense que, no século XV, se aventurou por mares desconhecidos em busca de um Portugal maior - João Afonso de Aveiro, que tem aqui o seu monumento, aprimorado por envolvente arbórea - na parte nascente – com um alinhamento de plátanos centenários em diagonais de princípios do século XX.

Estes exemplares são notáveis pela sua disposição e sombra proporcionada, constituindo-se como espaço privilegiado ao longo dos anos para eventos diversos como foi o caso da Feira de Março, feiras de artesanato, do livro, exposições, entre outros.

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Estátua João Afonso
Inauguração da Estátua João Afonso, 5 de Julho de 1959 – Festas do Milenário de Aveiro
Fonte: Juntos pelo Rossio, a partir da Imagoteca Municipal do Museu da Cidade de Aveiro
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comemoração
Comemorações milenário da fundação de Aveiro, 5 de Julho de 1959
Fonte: Juntos pelo Rossio, a partir da Imagoteca Municipal do Museu da Cidade de Aveiro
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Estátua
Estátua de João Afonso de Aveiro, com envolvente de Plátanos, 21 de Junho de 2019
Fonte: Juntos pelo Rossio

A antiguidade deste notável conjunto de plátanos é visível em diversas fotografias do início do século XX, sendo surpreendente como aparecem como moldura natural de edificado patrimonial cultural já desaparecido, como a igreja de S. João do Rossio demolida em 1911, mas também do conjunto de edifícios de Arte Nova da Rua João Mendonça surgidos pouco tempo depois.

De período pouco posterior será o – já restrito - conjunto de palmeiras que circundavam todo o perímetro do Jardim do Rossio.

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Rossio 197
Um Aspecto do Rossio, 1907 (Alinhamento de plátanos em frente ao antigo “Distrito de Recrutamento e Reserva no 24”
Fonte: Câmara Municipal de Aveiro (1985)
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Vista do Canal Central
Vista do Canal central, traseira da Capela de S. João e conjunto de plátanos, 1909
Fonte: Juntos pelo Rossio, a partir de vídeo institucional exibido no Museu da Cidade, 18-05-2019
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Rua João Mendonça, conjunto de plátanos e moliceiros, 1926
Rua João Mendonça, conjunto de plátanos e moliceiros, 1926
Fonte: Juntos pelo Rossio, a partir de vídeo institucional exibido no Museu da Cidade, 18-05-2019
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Rua João Mendonça, conjunto de plátanos e moliceiros, 2019
Rua João Mendonça, conjunto de plátanos e moliceiros, 2019
Fonte: Juntos pelo Rossio

O restante espaço do JARDIM DO ROSSIO - relvado e povoado com várias outras espécies arbóreas - data de 1982-1983, sendo projeto que, pela elevada dignidade que era reconhecida ao espaço, foi solicitado ao prestigiado gabinete de arquitetura paisagista de Gonçalo Ribeiro Teles e Francisco Caldeira Cabral, com a assinatura do Arquiteto Tércio Guimarães.

O ROSSIO perpetua a história da cidade, representa o valor simbólico da memória coletiva de várias gerações que o conotaram como um dos lugares mais emblemáticos da cidade de Aveiro.

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Moliceiros
Jardim do Rossio e Moliceiros
Fonte: Juntos pelo Rossio