O que nos move

A convicção da necessidade de proteger um espaço que, pelo seu carácter identitário, exige que as entidades municipais e que o colectivo dos cidadãos de hoje o respeitem como parte da herança da história local e como espaço gerador que foi de emoções e de afectos que marcaram gerações de aveirenses.

Mas também é um espaço que permite perspectivar a cidade que queremos: uma cidade que alinhe nas lógicas de modernidade, de humanidade, de sustentabilidade, marcada por lugares de encontro e convívio permanente entre os seus habitantes.

Esta zona da cidade de Aveiro é a que acumula o mais vasto e diversificado conjunto de pontos de interesse histórico, cultural e turístico.

Não preservar este espaço e seus elementos vivos - salvaguardando a integridade e contributo que ele e eles podem aportar a esta zona – é desperdiçar um contributo ímpar de ligação intersticial entre todos os outros elementos construídos de reconhecido valor.

Promover a completa alteração deste espaço – fazendo a mesma alinhar num indiferenciado padrão tipificado de requalificações que profusamente se repetem por vários locais – é uma opção que, por um lado, destrói para todo o sempre um legado identitário e, por outro, hipoteca para todo o sempre a unidade coerente deste conjunto urbano.

Aveiro apresenta – na malha urbana da sua área Norte – uma notória carência de espaços verdes.

A existência de um diversificado conjunto de árvores adultas no JARDIM DO ROSSIO é uma grande mais-valia para a cidade, pelo seu desempenho paisagístico e ambiental (biodiversidade e metabolismo urbano, sumidouro de carbono, redução de poluentes atmosféricos e melhoria da qualidade do ar, fonte de sombra e barreira sonora), para a saúde, conforto urbano, lazer, climatização, entre muitas outras.

Os pensadores e projectistas das cidades do futuro entendem como essencial preservar estas valiosas heranças, como contraponto à poluição crescente, aos problemas decorrentes das alterações climáticas e como espaços de humanização da regular vivência urbana.

Inerente à existência destes espaços, está o desafio de os perpetuar.

Este desafio de perpetuar o conjunto exigirá inteligência, conhecimento e respeito, qualidades de intelecto que não faltam na cidade de Aveiro e que permitirão moldar as funcionalidades do espaço às exigências dos habitantes e dos visitantes.

Defendemos que o JARDIM DO ROSSIO mantenha essas características funcionais e orgânicas, reforçando-as.

Um espaço em que não impere a impermeabilização do asfalto, do betão ou das lajes de um qualquer tipo de pedra que nos impeçam de sentir e fruir a terra que é nossa!